Stage International Hunspach 2006
Em Hunspach, na França, o verão é ameno e a paisagem exuberantemente harmoniosa. Os vales perdem-se nas cores garridas da natureza e as casas definem uma construção típica da autenticidade da vila. Em Julho, ela costuma ser também o local escolhido para a realização de um estágio anual de orquestra de plectro e guitarra.

Em 2006, também eu e o Vieira quisemos fazer parte e lá estávamos sentados na mesa da reunião de abertura onde se discutiriam as regras do "jogo". A ampla sala de reunião era também a sala de refeições, com mesas compridas de madeira e portas grandes de ambos os lados que dava para um jardim numa paisagem homogénea de campos verdes acompanhados pelo som dos animais.
As caras dos participantes anunciavam as suas nacionalidades que se distribuíam por Alemães, Franceses, Luxemburgueses, Espanhóis e nós Portugueses e anunciavam também a sua familiaridade para com este tipo de eventos, o que muito nos espantou, tendo em conta a idade precoce de muitos deles.
Os dias que se seguiram foram organizados de um modo rigoroso, com horários baseados em aulas individuais do instrumento, aulas de música de câmara e aulas de orquestra. Os intervalos e horas livres eram gozados pelos participantes, para nosso espanto, estudando ou desenvolvendo acrobacias musicais em mini campeonatos improvisados. Ao estudo juntava-se o relaxamento e a reflexão imprescindível, concluímos nós, ao aprofundamento de um instrumento, que advém da inspiração da natureza. Os passeios de visita e jogos de futebol não faltaram para relembrar a importância do exercício físico e da aquisição de outros conhecimentos, até como forma de relaxamento.

Todo o ambiente neste curso fez notar a importância de uma conciliação entre o gozo/prazer pessoal, relaxamento, convívio social, desenvolvimento da introspecção musical e aquisição de conhecimentos em três níveis: instrumento solo (guitarra, bandolim ou bandola), música de câmara e orquestra. Esta combinação revelou-se de uma eficácia extrema no desenvolvimento musical académico, que para nós que desconhecíamos, nos ficou gravado como imprescindível. Estes são hábitos que na vasta extensão europeia se praticam há muito tempo, em detrimento do que vai acontecendo cá por Portugal (dou mão à palmatória!).

As noites eram programadas com concertos, na igreja bizarramente simpática da vila, forrada a madeira e pedra decorada pelo tempo. No alto de uma colina, envolta em árvores não menos antigas, a igreja encheu-se de esplendor todas as noites com concertos, quer pelos professores do curso quer por profissionais convidados. Tivemos então o concerto do Mirko Schrader, que nos ofereceu, com o profissionalismo a que talvez não estejamos tão habituados nas nossas lusas terras, músicas do período barroco e contemporâneo. Também o quinteto formado pelos professores de bandolim, bandola, de música de câmara e guitarra, também organizadores do evento, nos alvejaram com músicas desde o barroco ao contemporâneo, acabando com uma composição surpreendente do contrabaixista, ali professor de música de câmara. O artista convidado pretendeu ser, com êxito, um grande executante do flamengo, que depois de um worhshop durante a tarde, daria à noite um concerto, a que já não presenciamos. Nesse mesmo dia, ao 5º dia, por razões de forma maior tivemos de regressar deixando um dia de aulas e os concertos por realizar.

Aqui fica, obviamente de uma forma sucinta, o relato de experiências que se podem vivenciar quando excursamos a outros lugares da Europa como forma de adquirir outras perspectivas acerca, neste caso, da educação musical. Se o interesse não for aprender muito mais acerca da execução de um instrumento ou da teoria musical, pode-se pelo menos adquirir algo que não é menos importante e que já há muito existe lá fora, isto é, a atitude e seriedade que é necessária ter quando se pretende investir na formação académica musical.
Informações sobre o curso em:
Dinis
